Quem é Deus?
Qui, 11 de Fevereiro de 2010 16:14    PDF Imprimir E-mail
“Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra. O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões”.[1]

Sabe por que, leitor, dessa confusão?

Um paralítico havia sido curado instantaneamente pela palavra de Paulo. Um milagre extraordinário.

A multidão eufórica com o acontecido entende que só podia ser uma ação de deuses. Você entende o que é isso, leitor? Uma multidão querendo atribuir a você o milagre. Histericamente, querendo elevá-lo ao trono de deus?

A mente da população ainda era cativa da mística. O texto diz que Júpiter possuía um templo em frente da cidade e que seu sacerdote a tudo assistia. Estava em lugar de destaque. Dominava os cidadãos. Logo, na oportunidade que se abriu, o sacerdote se apresentou para sacrificar a seu deus.

“Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós” foi o dito da multidão enlouquecida. Que chance para Paulo e Barnabé de aceitarem o tributo de glória oferecido pela multidão, meu leitor? Eles não pediram nada. Foi o povo. A idéia não partiu deles. Estavam pregando a palavra.

Fiquei pensando durante a leitura deste texto: se fosse hoje tal acontecido com homens que têm sido usados por Deus, qual seria a reação deles? Talvez, o povo não os chamassem de Mercúrio nem de Júpiter, porque seria uma adoração flagrante demais, mas é possível que o povo os chamassem de “grandes homens de Deus”, “celebridades de Deus”. Talvez, como no texto citado, muitos corressem e começassem a “sacrificar” em nome de fulano, sicrano e beltrano.

Num mundo cheio de vaidades e disputas, como o nosso, fiquei pensando e confesso que temeroso, que é bem provável que muitos acabassem por ceder à vontade do povo.

É lógico que a sociedade pós-moderna tem uma fala bem articulada e não usaria uma linguagem escandalosa, referindo-se aos seus deuses. No entanto, quantas campanhas contêm dizeres: campanha com fulano de tal, homem poderoso, grande homem de Deus, etc.

As personalidades têm se projetado nos nossos dias.

Contudo, o texto continua:

 “Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo (...) [2]

Leitor, que percepção dos apóstolos! A atitude de saltar no meio da multidão foi uma atitude de desespero, porque eles sabiam da loucura do povo que os via como deuses. Rasgando suas vestes mostravam humilhação e humanidade. Feitos de carne e osso como todo ser humano, criatura de Deus.

Declararam sua condição humana “sujeitos aos mesmos sentimos”. Em outras palavras, não nos vejam diferente de vocês. Em nossas veias corre o mesmo tipo de sangue humano. Somos atacados por sentimentos humanos como todo mundo. Sentimos medo. Sentimos tristeza. Sentimos raiva. Sentimos alegria. Somos gente.

Temos a missão de anunciar o evangelho do qual somos testemunhas vivas do seu poder regenerador, que muda o rumo do homem. Este caminha para a morte eterna. O evangelho mostra a conversão para a vida eterna em Jesus. Queremos que vocês se tornem também anunciadores do evangelho e que abandonem a prática idólatra.

Que teste, leitor! O desejo que se apossou de satanás estava agora batendo à porta do coração de Paulo e Barnabé com muitas vozes.

Outro item importante; eles falaram a verdade, nada mais do que a verdade. Não houve maquiagem da verdade. Não argumentaram que Deus me usa, Deus isso, Deus aquilo.

Querido do Senhor, não quero neste texto me colocar acima de você que me lê. Confesso que eu enfrento essa luta todo dia. Não me deixar envolver pelos comentários elogiosos. Demonstrar minha humanidade. Saltar no meio do povo, rasgar as vestes e dizer: sou um mero homem como todos na face da terra.

Minha intenção é compartilhar com você minhas reflexões a cerca das muitas ciladas que se apresentam a nós para nos confundirem e nos envaidecerem a ponto de ficarmos enredados por elas e perdermos nossa humanidade e dependência do nosso Deus.

 Que o Senhor nos ajude!

 



[1] Atos 14. 11-13

[2] Atos 14. 14,15

Última atualização ( Qui, 11 de Fevereiro de 2010 16:48 )
 
OS ESTATUTOS DO HOMEM
Qui, 04 de Fevereiro de 2010 16:19    PDF Imprimir E-mail

Estava relembrando meus tempos de faculdade e algo assaltou minha mente com a lembrança de uma poesia que mexia com todos os ideais de jovens acadêmicos: Os estatutos do homem, de Thiago de Melo.

Andávamos com adesivos nas pastas, contendo versos da poesia celebrada por muitos corações sinceros e despoluídos das malícias do cotidiano vil do homem perverso.

Depois que me converti, fiquei com a suspeita de que a fonte inspiradora de Thiago tenha sido as escrituras Sagradas.

 

“Fica estabelecida, durante dez séculos,

a prática sonhada pelo profeta Isaías,

e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora”.

 

 Somente com o conhecimento de Jesus, creio ser possível a realização da proposta poética.

Leitor, para seu conhecimento e deleite achei legal compartilhar com você os versos do poeta.

 

 

 

Os Estatutos do Homem

(Ato Institucional Permanente)

 

Thiago de Melo

 

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.

agora vale a vida,

e de mãos dadas,

marcharemos todos pela vida verdadeira.

 

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana,

inclusive as terças-feiras mais cinzentas,

têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

 

Artigo III

Fica decretado que, a partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas,

que os girassóis terão direito

a abrir-se dentro da sombra;

e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,

abertas para o verde onde cresce a esperança.

 

Artigo IV

Fica decretado que o homem

não precisará nunca mais

duvidar do homem.

Que o homem confiará no homem

como a palmeira confia no vento,

como o vento confia no ar,

como o ar confia no campo azul do céu.

 

Parágrafo único:

O homem, confiará no homem

como um menino confia em outro menino.

 

Artigo V

Fica decretado que os homens

estão livres do jugo da mentira.

Nunca mais será preciso usar

a couraça do silêncio

nem a armadura de palavras.

O homem se sentará à mesa

com seu olhar limpo

porque a verdade passará a ser servida

antes da sobremesa.

 

Artigo VI

Fica estabelecida, durante dez séculos,

a prática sonhada pelo profeta Isaías,

e o lobo e o cordeiro pastarão juntos

e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

 

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido

o reinado permanente da justiça e da claridade,

e a alegria será uma bandeira generosa

para sempre desfraldada na alma do povo.

 

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor

sempre foi e será sempre

não poder dar-se amor a quem se ama

e saber que é a água

que dá à planta o milagre da flor.

 

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia

tenha no homem o sinal de seu suor.

Mas que sobretudo tenha

sempre o quente sabor da ternura.

 

Artigo X

Fica permitido a qualquer pessoa,

qualquer hora da vida,

uso do traje branco.

 

Artigo XI

Fica decretado, por definição,

que o homem é um animal que ama

e que por isso é belo,

muito mais belo que a estrela da manhã.

 

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado

nem proibido,

tudo será permitido,

inclusive brincar com os rinocerontes

e caminhar pelas tardes

com uma imensa begônia na lapela.

 

Parágrafo único:

Só uma coisa fica proibida:

amar sem amor.

 

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro

não poderá nunca mais comprar

o sol das manhãs vindouras.

Expulso do grande baú do medo,

o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

para defender o direito de cantar

e a festa do dia que chegou.

 

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade,

a qual será suprimida dos dicionários

e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante

a liberdade será algo vivo e transparente

como um fogo ou um rio,

e a sua morada será sempre

o coração do homem.

Última atualização ( Qui, 04 de Fevereiro de 2010 16:21 )
 
Eu sou de Lá!
Seg, 11 de Janeiro de 2010 10:53    PDF Imprimir E-mail

Muitas vezes assistimos a filmes de ficção e ingressamos no universo do "faz-de-conta" com paixão intensa. Terminado o filme, levamos alguns minutos ou até horas para voltar à realidade cotidiana.

Temos ciência de que são mundos distintos: Ficção X Realidade. A ficção pode parecer arrebatadora, mas os apelos do dia-a-dia nos trazem à superfície real.

Levando em conta esta percepção de mundos, leitor amigo,  passei a ponderar sobre o universo bíblico e o universo natural.

Durante nossos afazeres corriqueiros, tomamos esta terra como nossa realidade final, embora sejamos admoestados pelo Espírito que, nada verdade, somos estrangeiros: nossa pátria é celestial:

 "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas" diz Filipenses 3. 20,21. 

Não é interessante, leitor?

Na verdade, nosso mundo atual é ficção. Aquele que está por vir é o real. Existem dois lados: o provisório e o permanente. A bíblia chama de lado natural e lado espiritual.

No episódio em que Elias é tomado aos céus, ele está com Eliseu e o texto diz em 2 Reis 2.11:

 "Indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.

Carro de fogo?!!!

Cavalos de fogo?!!!!

Percebeu, leitor? O lado natural confrontou-se com o espiritual. Como nos filmes, um "trailer" do espiritual foi dado a Eliseu, que depois disso nunca mais desprezou o espiritual. Logo após a partida de Elias, disse:

Onde está o Senhor, Deus de Elias? Quando feriu ele as águas, elas se dividiram para um e outro lado, e Eliseu passou" (2 Reis 2.14)

Portanto, meu amado leitor, há uma realidade espiritual disponibilizada para todos que quiserem acessá-la. O passaporte para lá custou caro, mas alguém já pagou por você.

Quer saber quem foi, leitor? Leia os evangelhos bíblicos.

Um forte abraço e até a cidade celestial.

Pr. Rudi

 

 
IDEOLOGIA?
Sáb, 09 de Janeiro de 2010 09:10    PDF Imprimir E-mail

Eu quero uma pra viver (Cazuza)"

Estávamos comentando durante a jornada de trabalho, pela manhã, a respeito das atuais coligações político-partidárias em termos de Brasil.

É de comum acordo que algumas alianças são esdrúxulas (assim como esta palavra esquisita) e incompreensíveis.

Parece complicado misturar óleo com água, sendo tais elementos "imisturáveis". Podem ocupar o mesmo recipiente, mas mantêm suas propriedades intactas, ou quase intactas.

Falávamos dos tempos de universidade em que bandeiras ideológicas de esquerda e de direita eram bem distintas. As defesas eram apaixonantes como nossas idades. Acreditava-se que havia campos bem marcados, com divisas claras.

Hoje, parece hilário se ler no jornal que partidos de tradição de direita se aliam a partidos de histórico esquerdista.

Gostaria de ouvir algumas vozes que outrora se posicionavam de forma tão contundente contra o sistema capitalista e que agora desfrutam da máquina capitalista.

Imagino vultos históricos socialistas revolvendo-se no túmulo diante das alianças espúrias que se realizam na pós-modernidade. (Aliás, é próprio da pós-modernidade relativizar os pontos-de-vista).

É difícil conceber a idéia de ver homens e mulheres da "teologia da libertação" com outros que são os protagonistas da "escravidão", do "continuísmo"!

Uma pergunta ante o cenário é legítima: ainda existe ideologia política??????

Como conceituar ideologia nos dias atuais????????????

A leitura que acabamos por fazer é que ideologia política é um amontoado de discursos filosóficos inúteis, que promovem o ego de alguns pseudo intelectuais.

Joãozinho trinta, o carnavalesco carioca, é dono de uma frase bem interessante:

Intelectual é que gosta de pobreza. Pobre gosta é de luxo.

Joãozinho aponta para a diferença de discurso e vivência. O intelectual via de regra é abastado. Finge que gosta de pobreza. O pobre é autêntico. Gosta de riqueza e pronto.

A idéia que prevalece frente aos conchavos políticos é de que, na verdade, a ideologia é a seguinte: os meios justificam os fins!!!!!

 

 

Última atualização ( Sáb, 09 de Janeiro de 2010 09:11 )
 


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